AirBn-boy


O céu azul dos últimos dias aumenta a nossa vontade de estar num bangalô à beira da praia em Bali. Ou em uma praia não tão distante mesmo (não somos TÃO exigentes). Mas como quarta é dia útil, trouxemos para a Ghost Interview o cara que possibilitou viagens para locais como uma pequena casa nas ilhas gregas ou um apartamento no coração de Nova York: Brian Chesky CEO e co-fundador do Airbnb.


Em 2007, Brian tinha acabado de se graduar em design e resolveu “tentar a sorte” em São Francisco. Locou um apartamento na cidade da Califórnia (que é uma das mais caras dos Estados Unidos) com seu amigo de sala, Joe Gebbia. Eles não contavam que o aluguel subiria tanto nos meses seguintes. Em outubro desse mesmo ano, já sem grana e perspectiva de finalizar o mês no azul, Brian e Joe transformaram os três colchões de ar de seu apartamento em um atrativo turístico e abriram a “Air Bed and Breakfast”que eles logo divulgaram na web. O resultado foi tão positivo que em 2008, eles abriram um site para  que outras pessoas publicassem e achassem novas “Air Bed and Breakfast”’s. O resto, a gente já sabe…

Now boarding



Assim que conseguimos o investimento inicial [da Y Combinator, aceleradora] a gente, literalmente, passou a ir em todos os apartamentos e casas das pessoas que colocaram seus anúncios no site. Para parecer menos assustador, a gente oferecia um fotógrafo profissional para tirar fotos do espaço e da casa que tinham para alugar. Dessa forma, ao mesmo tempo, melhoramos a qualidade do conteúdo do site e conhecemos diretamente os usuários mais engajados. Perguntávamos para eles o que poderia mudar no serviço, o que poderia ser acrescentado. Com isso colocamos os perfis dos usuários, a foto das pessoas que procuram espaço para alugar, o sistema de comentários e críticas. Ou seja, a experiência ficou melhor e mais confiável. Nós fazíamos o design de ponta a ponta.


Tudo isso veio porque nós não apenas conhecíamos os nossos usuários, nós dividimos espaço com eles. Eu costumava brincar nessa época: se você comprar o iPhone, o Steve Jobs não vai dormir no seu sofá. Mas se usar o Airbnb, eu vou. Com isso, a experiência no site melhorou, e a audiência aumentou.No final das contas, o fato do Airbnb não ter tomado tração no começo foi bom. Lógico que é excitante ter tração e expandir num passo rápido. Mas os maiores passos que a gente dá acontecem quando somos pequenos. Ou melhor: quanto maior você é, menos o seu produto pode mudar porque há mais usuários, mais sistemas, maior legado.Os maiores saltos de inovação que demos, especialmente nesse negócio que depende de redes de pessoas, foram quando éramos muito pequenos. Nós mudávamos o produto em uma semana. Se fizermos isso agora, seria um grande desastre. Existe uma vantagem na escala menor: a possibilidade de fazer o design da experiência perfeita.


(Participação no Podcast Master of Scales, em maio de 2017)


Para fazer o negócio escalar, tivemos que mudar o mindset de intuição para o de dados. Na fase do pré-produto, quando você está começando a empresa, dados não é o mais importante. O importante é resolver o problema proposto inicial. O foco inicial da etapa “pré-produto” é fazer a empresa não morrer. Depois que o produto está no mercado, você pode pensar no longo prazo, e os dados se encaixam aí. Quando falamos do Airbnb, muitos focam na história de como começamos, mas, na verdade, os estágios 2, 3, 4 e 5 que foram mais importantes, porque foram absolutamente mais complicados. Uma vez, um CEO me disse que, a cada seis meses que você se mantém como CEO, é uma promoção, eu não acredito nisso. Eu acho que ser o CEO em uma companhia que cresce muito significa que, a cada seis meses, você tem um trabalho completamente novo. É como um jogador de boliche se tornar um jogador de futebol, depois de hóquei. A inteligência e a análise dos dados a cada momento ajuda nessa transição.


(Entrevista à Business Insider em novembro de 2015


Estávamos focados em cinco coisas: mobile, mobile, mobile, mobile e mobile.


(Entrevista na The Atlantic em agosto de 2013)



Nós falamos muito sobre a sharing economy que esse termo foi usado de maneira errada e deixou de ficar claro o significado. Mas a “experience economy”, onde a pessoa paga para ter algum tipo de experiência, será algo massivo. O tamanho do mercado era algo que estávamos criando. Mas o que tenho a dizer é: se você combinar a valor de mercado da Amazon e do Alibaba, são mais de trilhões de dólares, apenas por venda de produtos físicos. Então, quão grande é a oportunidade desse setor? Eu não sei, mas deveria rivalizar esse mercado. Três em quatro millenials afirma preferir uma experiência do que um produto físico. E existem mais millenials no mundo do que não millenials, especialmente fora dos Estados Unidos, se você olhar para economias emergentes como China e Índia. A feature “experiences” do Airbnb já tem 1,5 milhão de bookings por ano na base anualizada. Ela está crescendo 10 vezes mais rápido do que a procura por casas, está indo mais rápido, mas numa base menor.


(Entrevista ao Recode em maio de 2018


Personalização e combinação são o mais importante para a gente porque a internet dá a usuários uma quantidade esmagadora de informações. Principalmente no setor de turismo. A importância de fazer a correspondência correta com o que o usuário está pesquisando é ainda mais específica para o setor de viagens, pois o ato de ir em uma destinação completamente nova abre espaço para escolhas desinformadas. Queremos que as pessoas tenham a experiência de alguém local.


(Entrevista ao NY Times, de abril de 2016)

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