O carro robô está logo ali!


Apple pode fazer parceria com Hyundai e Kia, Tesla chega a US$ 800 bilhões de valor de mercado, Amazon compra a Zoox, Microsoft investe na Cruise, Uber vende a ATG, VW decide apostar no “in the house”… O que essas notícias todas significam?! Que os veículos autônomos já estão impactando os negócios! E, tal qual um algoritmo de navegação num carro elétrico, resolvemos usar a news de hoje para ligar os pontos e explicar, afinal, qual é provável caminho dos carros-que-se-dirigem?

What is the driver?

Desde a primeira semana do ano, o mercado foi tomado por rumores de que a Apple está procurando por montadoras para firmar parceria e criar o “iCar”, assunto que chegamos a falar na última semana do ano passado. O rumor desta semana fala que a parceria entre Apple e a Hyundai-Kia está cada vez mais próxima de ser firmada e que o “Apple Car” poderia chegar ao público em 2024. De acordo com uma analista do Morgan Stanley, a oportunidade da Apple de entrar no mercado de transporte é "o potencial de entrar num mercado de US$ 10 trilhões. Se a Apple abocanhar apenas 2% de share, a possibilidade de lucro já equivale ao do iPhone dentro da empresa”. O caminho de outra Big Tech, o Google, ou melhor, da Waymo, também está sendo a conexão com montadoras: Fiat, Jaguar, Nissan, Renault e Volvo já se ligaram à empresa de carros autônomos do Google. Do outro lado, uma montadora procurou fazer parceria com uma Big Tech Mobile. Estamos falando da Tesla que, há duas semanas, se juntou com a Samsung para a fabricante de smartphones fornecer os chips para os carros criados por Elon Musk.

S.OS

A batalha do carro, no entanto, é muito menos nas rodas e motor, e mais no software. Não é à toa que a Tesla está propondo licenciar o seu programa de direção autônoma. A Blackberry, sim, essa mesma, firmou parceria com a Baidu para criarem, juntas, o Apollo, uma plataforma para dar apoio a carros autônomos. Lá na China, inclusive, já tem gente chamando a Apollo de “Android” dos carros. Já, nesta semana, a Volkswagen informou que vai criar internamente o seu software para veículos autônomos, dando um chega para lá nas Big Techs. De acordo com executivos da VW, eles vão aproveitar que já têm um mercado estabelecido no mundo dos veículos para ganhar dianteira contra as empresas de tecnologia nos veículos elétricos autônomos. E se você acha complicado entender todo o lance de como um carro pode andar sem a necessidade de um motorista, basta olhar para o seu smartphone! A discussão toda que estamos vendo entre desenvolvedores de aplicativos e a Apple já mostra um pouquinho do que poderá acontecer no mundo dos carros: aqueles que controlam o software são os que detém as ferramentas de monetização e de compreensão do público.

Data for….

Porque os dados, meus colegas, eles são o prêmio final desta corrida. A possibilidade de captar e entender os dados de mobilidade, e de hábito, bem como de uso dos carros autônomos de forma mais eficiente é o diamante para as empresas de tecnologia. Num carro completamente autônomo, o usuário terá um tempo ocioso que, neste momento, não é ocupado e nem entendido por nenhuma empresa (nesse ponto, a Tesla tem ganhado cada vez mais e mais valor, já que consegue, a partir de serviços oferecidos em seu OS, oferecer vídeos e games em seus carros). Nesse sentido, vocês talvez entendam um pouco melhor porque, raios, a Microsoft desembolsou US$ 2 bilhões para investir na startup de carros autônomos da GM, Cruise (sobre qual já falamos aqui no Ghost Interview, inclusive). A partir do investimento, a Microsoft também ganhou a chance de ser a fornecedora de serviços em nuvem para a Cruise e para os carros autônomos da empresa. Ou seja, um ganho em produto e, principalmente, em dados captados.

Uber-bot

Até agora, temos feito a comparação de um carro autônomo com um smartphone, mas eis o momento de ver o nosso caminho se bifurcar pois, além de oferecer um serviço, um carro completamente autônomo consegue, de fato, fazer este serviço. Pense em uma empresa como a Amazon ou o Mercado Livre com acesso a uma frota de carros que se dirigem sozinhos, uma ideia que a Zoox (startup comprada pela Amazon no ano passado por US$ 1,2 bilhão) está concretizando, inclusive. Para um e-commerce, deter essa frota é conseguir uma automatização importante para a ponta das suas entregas. Agora, para um app de ride hailing, isso pode significar tudo. A chinesa Didi-Chuxing, conhecida por aqui por ser a dona do 99 app, levantou US$ 300 milhões recentemente para a sua área de veículos autônomos e já está testando um serviço de táxi-robô em Xangai. Falando em “táxis-robôs”, a Waymo já está operando seu serviço de táxi-robô no Arizona, nos Estados Unidos, e vai expandir ainda neste semestre, para outros Estados norte-americanos. Por lá, a Lyft tem seguido no caminho de aproveitar os dados que eles já têm das suas corridas pelo país para melhorar o seu sistema de carros autônomos, e já projeta que terá uma frota completamente autônoma daqui a 10 anos. Neste ponto, a Uber pegou o mercado de surpresa ao vender a ATG, sua operação de pesquisa no setor, no ano passado, para uma startup.

Lifestyle

Outro ponto muito importante dos carros autônomos diz respeito à eficiência que eles podem trazer para a mobilidade urbana, para a gestão de cidades e para a vida das pessoas. Basta lembrar como o seu dia a dia se tornou mais eficiente quando passou a utilizar aplicativos como o Waze para otimizar seus deslocamentos ou como aqueles sistemas de vagas inteligentes de estacionamentos mudaram a experiência, que antes era irritante, de simplesmente achar uma vaga. Agora pense de forma mais ampla. Quanto uma cidade como São Paulo, Mexico City, Tóquio, Nova York ou qualquer outra não gasta anualmente apenas para apoiar o aumento no fluxo de pessoas e automóveis? Se exagerarmos num futuro, com todos, ou quase todos carros autônomos nas ruas, além da eficiência de fluxo, poderíamos, por exemplo, não ter mais as vagas de rua, abrindo mais espaço para maior fluxo de pessoas nas calçadas (ou até mesmo, mais espaço para o comércio!). Seria possível em lugares como Nova York, onde o aluguel de uma vaga por vezes custa mais do que o aluguel de um apartamento inteiro (mas sem vaga), terem estacionamentos em regiões distantes e com isso o seu carro poderia ir sozinho dormir fora, sim, você chega em casa, e ele depois vai para um estacionamento em algum local mais distante e barato. O que isso pode significar para os modelos urbanos?! Cruzando aqui com aquela tendência sobre qual já comentamos dos prédios e espaços de moradia se tornando cada vez mais voltados para os serviços, o carro também poderá ser um. E, pensando no meio ambiente, quão ineficiente é uma pessoa comprar 1 ou 2 toneladas de ferro, aço, plástico e borracha para se deslocar? Por quanto tempo isso vai durar? Isso sem falar na eficiência logística… A China acabou de liberar a TuSimple para colocar 5.000 caminhões pesados nas estradas ao longo de 2021. Ou seja, de fato, é uma tecnologia que pode mudar uma quantidade absurda de setores que afetam diretamente o nosso cotidiano!

Para frente..

Ainda existem muitos desafios para se colocar um carro “sem motorista” humano nas ruas? Sim, com certeza! A questão é que, com os testes já perto do final, está na hora da gente compreender quais são os efeitos que esta tecnologia pode ter nos negócios, principalmente num momento em que discutimos tanto os impactos de outras escolhas, feitas na época do começo da internet móvel. E, tomando por essa quantidade de movimentações e operações aí, podemos esperar agitação e muuitos dólares ainda fluindo para o segmento.

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