GHOST INTERVIEW #19 | Os 3 bigodes de US$ 2,5 bilhões


Los 3 Mustachos


As notícias correm mais rápido do que a entrega da Rappi e ficamos sabendo que a startup colombiana vai receber 1 bilhão de dólares de investimentos do Softbank – o que eleva o valor de mercado da empresa a 2,5 bilhões de verdinhas. Para quem não se lembra, a gente já falou com o Gabriel Sampaio, Head de Digital Latam do superapp no Morse Yearbook. E, dessa vez, a Rappi entrou para o Ghost Interview, Num papo rápido com os fundadores Felipe Villamarin (CTO), Sebastian Mejia  (CSO)e Simon Borrero (CEO).


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Há uns anos, lá em 2015, Felipe, Sebastian e Simon tinham uma plataforma de e-commerce e Mobile chamada Grability. Para demonstrar como smartphones poderiam refazer completamente a experiência de compra, criaram um experimento, um tal de Rappi (= rapidinho em espanhol). Em 2015, lançaram em forma de aplicativo, atuando apenas na Colômbia; em 2016 veio o investimento milionário da YCombinator. Corta para 2019, o superapp atua em seis países – e 15 cidades brasileiras, com perspectiva de expandir para 30. O que há por trás desse crescimento? Segue o fio aí:

Rapido y Ligero…



Simon: Um estilo de vida mais ocupado, restrições de tempo e a inconveniência ou incapacidade de chegar fisicamente a uma loja estão levando mais e mais pessoas a comprar on-line. No entanto, enquanto as vendas digitais de roupas e de viagens cresciam, os produtos de consumo ainda ficavam para trás. Uma das razões para isso, a gente detectou, era que os supermercados não tinham ido além para traduzir a experiência de compra na web para o Mobile, o que dava uma péssima experiência final para o usuário e se transformava numa perda de tempo. Então tivemos a ideia de criar uma interface que conseguia replicar a forma de se comprar na loja no Mobile, o que ajuda a elevar os hábitos de compra dos usuários. O Rappi imita as ilhas e as prateleiras de compra. O aplicativo também tinha que incluir o serviço de logística “de última milha”.(Entrevista ao MIT Technology Review, no especial “Innovators under 35” de 2016.


Simon: A resposta direta dos usuários nos ajudou bastante. As pessoas começaram a adotar o Rappi muito rápido. O app não foi uma grande ideia nossa, era como se fazer uma loja de bairro que entrega em domicílio, mas o que fizemos foi: abrir as caixas de mensagem. Ali, os usuários podiam pedir qualquer coisa, então começamos a incorporar no aplicativo todos os serviços que eles pediam. E, olha, eles começaram a pedir de tudo: desde supermercados grandes, até restaurantes que não faziam deliveries, passando por pedidos de favores.


(Entrevista ao La Republica, em 25 de fevereiro de 2019)


Simon: O Rappi começou em um raio de cinco quadras em Bogotá, na Colômbia. Funcionou porque era “hyper-local”. Nós mapeamos tudo que havia por perto: restaurantes, sorveterias, farmácias, lojinhas e você conseguia ter qualquer produto entregue na sua casa por um dólar, em alguns minutos.


Nós vemos uma grande oportunidade de nos tornarmos a home screen da América Latina. Diferentemente de mercados como os Estados Unidos, onde há apps para todos os nichos, os donos de smartphones na América Latina possuem pouca memória para armazenar diversas aplicações – e elas logo são desinstaladas para ceder espaço a fotos e vídeos. Nesse sentido, o Rappi é mais parecido com o modelo asiático, como o WeChat, que é um aplicativo usado para tudo.


E, estar em países emergentes é bom para serviços “on demand”, isso porque, por aqui, a entrega é menos cara. Nos Estados Unidos, os produtos são baratos, mas a mão de obra é cara, na América Latina o que acontece é o contrário, então apps de delivery fazem todo sentido.


Há oportunidades para entrar em mais verticais na América Latina. Estar em mais verticais leva a maior frequência de uso, o que significa maior densidade, resultando em entregas mais baratas e mais rápidas. Sem contar que seguir em várias verticais é mais eficiente para a gente. Um exemplo é que a gente consegue explorar as entregas para além dos horários de pico dos restaurantes.


O espaço ainda está aberto para quem quiser se tornar a “loja de tudo” da América Latina. A Amazon ainda não teve sucesso no sentido das “compras do dia a dia” na região porque eles ainda não têm parceiros o bastante em logística, eles não criaram ainda a rede de entrega na região porque os países operam de maneiras diferentes. Nisso, a gente tem uma grande vantagem.


(Entrevista al Lavca Venture Investors, em 1 de dezembro de 2016)


Simon, Felipe e Sebastian: Percebemos que o principal produto do Rappi é a coisa mais preciosa que todos nós sentimos falta: o tempo. Nós conectamos a parte da sociedade que tem dinheiro, mas não tempo, com outra que precisa de renda extra e tem tempo extra para oferecer.


Além disso, percebemos que a América Latina possui uma ótima cultura de entrega. As cidades são caóticas, a entrega era super manual e nem todas as lojas a ofereciam – havia muita ineficiência e altos custos. Pensamos: e se digitalizássemos esse ecossistema e começássemos a entregar qualquer coisa em menos de 30 minutos por menos de um dólar?


O Rappi Pay veio nesse caminho. É um novo produto que habilita que usuários consigam transferir dinheiro entre si, dividir contas e pagar por operações dentro do aplicativo. A última evolução do RappiPay também deixa que usuários paguem em estabelecimentos físicos por meio de QR Codes. 


(Entrevista ao blog da Y Combinator, em 17 de outubro de 2018)



Simon: Na verdade, o Rappi nasceu como um experimento porque queríamos mostrar às grandes marcas como elas deveriam vender seus produtos através de plataformas digitais. E como elas poderiam ganhar com isso, com todas as funções do digital. Isso porque, ao copiar a interface e a logística da Amazon, uma prática comum das empresas nesse tipo de negócio, elas cometiam erros fundamentais que não ajudavam a manter seus clientes e nem ajudavam o marketing digital. E, portanto, eles estavam perdendo importantes oportunidades de venda.


(Entrevista ao blog do jornal El Tiempo em 27 de julho de 2017)


Sebastian: Nosso roadmap foca em ampliar o alcance das ofertas e serviços. Usaremos os novos recursos para expansão, chegar a novas cidades e novos países do continente. Procuramos maior crescimento nos mercados onde operamos. Atualmente, contamos com um crescimento mensal de 20%, queremos manter esse ritmo de dois dígitos

.

Consideramos que o mundo digital evolui de acordo com as exigências dos usuários, especialmente com base em suas necessidades de obter serviços e produtos de maneira mais rápida e eficiente.


(Entrevista ao Marketing4ecommerce em 6 de novembro de 2018)

Sebastian: A visão do SoftBank de acelerar a revolução tecnológica [na América Latina] reflete muito com a nossa missão de melhorar a vida das pessoas por meio de pagamentos digitais e de um superapp que reúne tudo que os consumidores precisam em um espaço. Nós vamos continuar construindo inovações para entregadores, restaurantes, varejistas e outras startups.


(Comunicado após o aporte do SoftBank, em 30 de abril de 2019)

Simon: Queremos que a Rappi se torne a maior empresa de tecnologia da América Latina. Nós não temos um Alibaba na Ásia? Acho que podemos assumir esse protagonismo. Podemos ser a empresa de tecnologia que inspira a nossa própria região. A Rappi tem potencial para se tornar uma empresa de US$ 40 bilhões, com pelo menos 80 milhões de usuários.

O dinheiro que tem entrado na empresa tem esse foco. Iniciar uma operação é algo caro. Precisamos desse dinheiro para operar a Rappi em novas cidades.


 (Reportagem da revista Época Negócios, em 17 de setembro de 2018)


Simon: A Rappi quase que foi criada para o Brasil e suas cidades grandes e complexas. Temos um match perfeito com São Paulo e seus usuários, que entendem de tecnologia e sentem a necessidade de uma cidade mais eficiente e sustentável.


(Reportagem da revista Exame de 1 de outubro de 2018)


Felipe: Já chamaram a Rappi para coisas super estranhas: uma blogueira mexicana nos pediu um tabuleiro de Ouija; no Brasil, já nos solicitaram um goleiro para um jogo de futebol e, na Colômbia, pediram um jogador para um torneio de videogame.


(Entrevista à GQ Latinoamerica, 1 de dezembro de 2017)



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