GHOST INTERVIEW #20 | Marcelo Claure, o caçador de unicórnios da América Latina


…Continuação


No último episódio de Ghost Interview, você leu uma entrevista com os fundadores da Rappi, já que a empresa recebeu aporte de US$ 1 bilhão direto de dois fundos do Softbank. Hoje, a gente quer responder à pergutna que ficou na cabeça dos empreendedores de tecnologia da América Latina desde então: quem vai ser o próximo?! O Ghost Interview dessa semana foi atrás de uma das únicas pessoas do planeta que sabe essa resposta: Marcelo Claure, o CEO do Softbank Latin America, COO do Softbank, presidente executivo da Sprint (e presidente do Club Bolivar).


Sim, a gente mudou de lado nessa edição apenas para descobrir as opiniões de quem ainda tem US$ 4,5 bilhões para distribuir para startups pela América Latina (parada para dizer que, dos US$ 1 bilhão investidos na Rappi, apenas US$ 500 milhões vieram do Innovation Fund Latin América). Marcelo tem uma visão clara sobre o continente e sabe bem que tipo de empresa merece os aportes assinados por Masayoshi Son. Quer saber mais? Olha só:

Gol de Plata



Tradicionalmente, o Softbank é uma companhia que tem muito poucos investimentos na América Latina. E a gente tem visto todos os dias o nascimento de novas empresas de tecnologia na região. Quando a gente levantou os números, vimos uma quantidade de empresas financiadas por venture capital na região, são mais de 200. Nos últimos anos, 13 unicórnios surgiram na América Latina; junto com isso, classe média da região tem crescido num ritmo fascinante. Além disso, é uma região early adopter de tecnologias, em países como Brasil e México, principais mercados da região, os usuários abraçam empresas de alta tecnologia bem rápido. Quando olhamos todas as mudanças que estão acontecendo e o modelo de investimento atual que está sendo feito na região, achamos que era um momento bom para replicar o estilo do Softbank por lá.


A fatia de investimento em comparação com o PIB da região é muito, muito baixa, principalmente se a gente comparar à Ásia. Não acho que estamos criando uma bolha, pelo contrário, estamos acelerando o crescimento de empresas incrivelmente inovadoras, como Uber nos Estados Unidos, mas procuramos na América Latina dessa vez.


(Entrevista à CNBC Television em 7 de março de 2019)


Buscamos empresas e empreendedores que tenham a capacidade de usar inteligência artificial e dados para desafiar indústrias tradicionais. As indústrias de foco particular para o Fundo na região incluem comércio eletrônico, serviços financeiros digitais, saúde, mobilidade e seguros.


Investiremos diretamente em startups em estágio avançado, uma vez que tenham comprovado um forte modelo de negócios e precisem de capital para expandir seu crescimento. Nosso objetivo é ajudar a desenvolver o mercado em geral, além de startups em todas as fases através de parcerias com outros fundos de investimento, universidades e aliados do governo.

(Entrevista dada ao Mobile Time em 3 de abril de 2019)

Depois do primeiro investimento, devemos anunciar um ou dois investimentos por mês. Sentimos que há um vácuo de capital depois da Series A e queremos que o empreendedor possa focar em inovação e não em ficar levantando recursos.

(Entrevista ao Brazil Journal em 5 de abril de 2019)


Queremos achar bons empreendedores, não importa onde estão. A lógica diz que o Brasil tem a maior economia da região e é o ecossistema de startups mais bem desenvolvido. Não acho que os brasileiros sejam mais espertos que os outros latinos, mas houve muita dedicação para a construção desse ecossistema. Também não temos valores definidos ou um prazo para fazer os investimentos. O que queremos é que os empreendedores tenham os recursos ideais para crescer. Quando isso não acontece, a criatividade deles fica limitada.


Precisamos ter certeza de que estamos fazendo os investimentos certos. Somos uma empresa de longo prazo, somos a única empresa do mundo que tem um plano para os próximos 300 anos. Às vezes, meu time de investimentos quer fechar contratos de forma rápida, está excitada com os negócios, mas faltam certezas. Precisamos ter confiança para escolher os empreendedores certos. Por outro lado, nós conhecemos bem o mercado: podemos entender o que pode acontecer no Brasil porque já vimos algo semelhante acontecendo na China, podemos mostrar o que aconteceu com eles depois de determinadas decisões.


(Entrevista ao jornal Estado de S.Paulo, em 12 de março de 2019)

Os países com maiores ineficiências são aqueles nos quais os empreendedores têm maior chance de provocar mudanças. Se há um sistema de saúde pública que já funcione, por exemplo, o espaço é menor para a inovação. No Brasil, o cenário é o oposto, o sistema de saúde pública precisa de ajuda, que virá da aplicação de tecnologias. A malha de transporte nacional também necessita de auxílio. Quando visitei o país, fiz questão de conversar com caminhoneiros. O negócio deles está quebrado, por vezes um profissional espera quatro, cinco dias pela próxima carga. Novas tecnologias poderão solucionar 90% dos problemas relacionados a isso. Há muita coisa que não funciona no Brasil e que pode ser consertada.


Há um vácuo enorme no Brasil. Executivos gastam um tempo demasiado implorando por alguma reunião com investidores no Vale do Silício, visto que suas empresas são pequenas demais para os padrões californianos. Agora levarei o capital até eles.


O objetivo é procurar unicórnios em formação ou servir de impulso para aqueles que acabaram de chegar ao patamar de unicórnio. Temos vinte anos de experiência no ramo de investimentos, dois dos quais foram dedicados a investir nesse tipo de empresa nascente.


(Entrevista à revista Veja, em 19 de abril de 2019)



O mundo está entrando numa das épocas mais excitantes que já esteve, será a revolução da Inteligência Artificial. A gente já passou pela revolução digital,  que criou uma série de empresas “campeãs”, mas agora o dia chegou em que as máquinas serão mais poderosas e inteligentes que os humanos. Nos últimos anos, a capacidade de processamento, de armazenagem, de computação de dados, das máquinas chegou num ponto muito parecido da mente humana. Infelizmente ou felizmente, depende de quem está falando, essa tendência só deve acelerar mais nos próximos anos. Daqui a 10 ou 15 anos, as máquinas terão capacidade 1 milhão de vezes maior do que o cérebro humana O que isso significa? Que a inteligência artificial chegou e vai trazer disrupção para todas as indústrias que a gente conhece. Veremos transformações em indústrias de trilhões de dólares, e ainda estaremos para ver a mudança que isso trará no dia a dia das pessoas.


(Apresentação no Brazil at Silicon Valley 2019 , em 12 de abril de 2019)


Quando começaram com o 4G, não sabiam o que ia acontecer, quais seriam as consequências desses investimentos. Por causa das redes 4G que existem, hoje em dia, o Netflix, o Facebook e o Uber. São empresas fundadas por causa da qualidade da rede.


Com o 5G o caminho deve ser o mesmo, e devem vir coisas fascinantes como carros autônomos, a possibilidade de se fazer cirurgias à distância utilizando robôs.  A rede permite carregar vídeos em menos de dois segundos e também ajuda a implementar a internet das coisas, isso pode mudar a maneira com que fazemos agricultura, por exemplo. A comida que comemos pode ser entregue por drones. A lista de cases e de áreas que podem ser afetadas pelo 5G é imensa: realidade aumentada, realidade virtual. É uma rede que possibilita a inovação.


(Entrevista dada à El Dinero, em 21 de março de 2019)


Tenho compromisso em trazer o árbitro assistente de vídeo [VAR] para a Bolívia e pagar por sua implementação no país. O VAR pode resolver os quatro maiores problemas no futebol: autorizar ou não o cartão vermelho; determinar se houve ou não pênalti; dizer se a bola entrou ou não, e identificar o jogador corretamente.


(Postado em sua página oficial do Twitter, no dia 9 de abril de 2019)

MATERIAIS GRATUITOS

MORSE YEARBOOK

Veja o que o futuro da tecnologia mobile reserva para os próximos anos.

RECEBA NOSSO CONTEÚDO