GHOST INTERVIEW #21 | O Moneyball da Disney


A Disney entrou oficialmente no mercado de streaming com a força que só a gigante do entretenimento consegue, em uma tacada só comprou a Hulu e lançou o Disney Plus, seu serviço próprio de streaming. Mas quem está por trás desse movimento da produtora para o mundo digital? A resposta pode te surpreender: um grupo de caras fãs de dados, tecnologia e beisebol. A gente conseguiu pegar um deles para o Ghost Interview, conheça Joe Inzerillo, CTO da Disney Streaming Services (exBAMTech).


Lá em 2000, a Major League Baseball (MLB, liga norte-americana de beisebol) lançou um serviço para estar presente na internet, a ideia era vender ingressos e fazer banners online. Em 2002, Liga foi além: fez o streaming ao vivo de um jogo e lançou um serviço de assinatura, tipo um “Premiere”, mas para vídeos online. Corta para 2015: o que era a “área digital” passou a ser chamada BAMTech e deu um pulo ousado: foi responsável por criar a plataforma da HBO Now um pouco antes da estreia da quinta temporada de Game of Thrones (saudades quinta temporada…!). Isso chamou atenção do Mickey Mouse e, em 2016, a Disney fez um pequeno investimento de US$ 1 bilhão na BAMTech. No final de 2017, a Disney resolveu comprar de uma vez a empresa, transformando-a em sua divisão de streaming.


Como essa transição toda aconteceu e o que o mundo do streaming nos reserva? Joe, o CTO durante todo esse processo, conta para a gente:

Do Beisebol até o Walt Disney



Para a gente, estar na internet era estar onde os fãs [de Beisebol] estavam. Era tudo sobre o esporte e sobre as pessoas que amam beisebol.

(Entrevista ao site Decider em 11 de abril de 2016)

O que as pessoas esquecem é que a internet, como tecnologia, nunca foi feita para carregar serviços como esse: a entrega de vídeos ao vivo simultaneamente para milhões de pessoas. É como tentar viver em Mercúrio. O planeta é completamente inóspito. Todo dia, tudo que estamos fazendo é uma batalha para sobreviver num espaço que, simplesmente, não quer você. Streaming vídeo na internet é meio como isso.

(Entrevista ao The Verge em 4 de agosto de 2015)


Empresas que fazem VOD nem sempre fazem Live Stream, mas quem faz Live Stream sempre faz VOD, porque tem arquivos, highlights, informações que coloca no vídeo ao vivo, que os torna aptos também para o VOD. Muitas situações que acontecem no live não acontecem no VOD, interferências, questões técnicas, é mais complicado.


Sobre o Mobile existem dois pontos. O primeiro é que o crescimento dos serviços de streaming tem chegado em diversas audiências Uma fatia desses usuários importante são os millenials, eles vivem num “mundo de devices” e não no mundo da TV a cabo. É Apple TV, Roku, Playstation, além dos smartphones, eles estão acostumados a ter acesso ao conteúdo por meio deles e não na TV. E é um padrão de uso que a gente vê se repetindo nos usuários, de ver em vários devices, tanto que não vejo uma canibalização dos usuários de TV, mas uma segmentação maior.


O outro ponto é que o hábito dos usuários, em geral, está mudando. Para o nosso serviço de assinatura da MLB, por exemplo, 25% é visto via web. Mobile é o resto. E considero mobile também os aparelhos que ficam na sala, como Apple TV e Smart TV. Quase metade do tráfego acontece em devices que se ligam na TV dessa forma. Muita gente abre o streaming antes mesmo de zapear o que está acontecendo na TV.

(Apresentação no Streaming Media East 2017 em 17 de maio de 2017)


Primeiro vou falar do que me anima, mas também é um desafio, que é qual a próxima geração de experiência em vídeo. Porque, de certa maneira, o que fazemos no streaming ainda é televisão, sabe? O que quero é saber qual vai ser o próximo formato. E não estou falando sobre tecnologia 4K, ou HD. Será realidade virtual? Realidade aumentada?


Porque, se uma coisa que fica clara no meu trabalho, é que as pessoas pagam por conteúdo, por qualidade, mas também por experiência. Não é só assinar o serviço e assistir um jogo igual ao da TV, mas assisti-lo em HD, com dados em tempo real. Os usuários pagam por essa diferenciação. E a gente tem que acompanhar, porque, ao mesmo tempo que ele paga, ele pode deixar de assinar com uma fricção muito menor.


No sentido de dificuldades, a pirataria é algo real. A gente precisa detectar quando pirateiam o conteúdo, mas também não pode deixar o processo de assistir ao conteúdo muito cheio de barreiras, porque isso também força as pessoas a usarem a plataforma de maneira errada. É uma batalha fazer com que o serviço, as empresas de tecnologia e os provedores codifiquem o conteúdo para bloquear a pirataria. É um ecossistema que ainda não está 100% pronto.


Ainda tem a questão do compartilhamento de senhas. As pessoas que fazem isso violam os termos de serviço do contrato e, em tese, deveriam ter suas contas bloqueadas. Mas precisamos ser muito cuidadosos com os “falsos positivos” nesse sentido, porque muitos dos nossos usuários assistem aos jogos quando estão em viagem e também utilizam diversos devices para ver esportes, então não podemos ir fechando todos os perfis.


Porque, no final das contas, bloquear um ID é o mesmo que chamar a pessoa de ladra. Não dá para cortar tudo que achamos de diferente no uso, por isso temos que ser bem afiados em entender o usuário.

(Apresentação na SVG Digital Summit em 11 de dezembro de 2017)



O mundo é um lugar enorme. Existe uma quantidade incrível de conteúdos lá fora, e existem mais plataformas de nicho do que já existiu. Dessa forma, não acredito que a escolha seja “um ou outro”, mas muito mais “um e outro”. Eu acredito que alguns assinantes do Netflix, por exemplo, serão também usuários do Disney Plus porque o streaming já é o mecanismo que eles escolhem para consumir vídeo. Ou seja, não acho que o nosso serviço seja um assassino de Netflix, e sim, complementar.


Sem contar no conteúdo que a Disney oferece. Eles têm um universo de patentes de marcas e propriedade intelectual para escolher, é um dos melhores conteúdos do mercado.

(Entrevista ao site CTech em 4 de fevereiro de 2018)


Estamos trabalhando em formas diferentes de storytelling para mostrar as sagas da Disney. Conteúdos como o da Marvel ou de Star Wars são incríveis porque eles têm uma narrativa enorme e vários tipos de histórias ligadas a eles. Então, a interface do serviço de streaming da empresa que é dona desse tipo de saga épica precisa ser conectada pelo usuário e ter uma narrativa criada para mostrar o conteúdo para um assinante comum e para os fãs que amam. Ao mesmo tempo, a plataforma precisa ser personalizada. Precisa ser capaz de fazer todo o tipo de coisas. É a fusão de todos esses componentes, do conteúdo em saga e da personalização, para o usuário ter essa visão de narrativa constante.

(Entrevista à reportagem da PCMagazine, 1º de abril de 2019)


É tudo sobre dados. A gente mostra para o público que não dá para fazer a mesma coisa e esperar os mesmos resultados. O nosso DNA como empresa está nesse esporte. E, beisebol, para quem não conhece, é basicamente um jogo que precisa de dados.

(Apresentação na FutureStack16 SF, em 29 de novembro de 2016)

Mas espera, tem outra pessoa querendo responder….!


Michael Paull (CEO do Disney Streaming Services): Uma das coisas que eu estou pessoalmente interessado é na possibilidade de trazer o conteúdo correto para as pessoas certas no momento preciso. Nesse novo mundo, há muito mais dados. E ter acesso aos números de consumo permite que os distribuidores ofereçam um super-serviço para os seus usuários. Ser capaz de entender o que as pessoas entendem, não é apenas ‘hei, a que eles assistem? ’, mas ‘por quanto tempo eles assistem e eles estão vendo coisas parecidas?’. Isso é real informação complexa, em contraposição aos dados mais simples.

(Entrevista ao Sports Video Group Blog em 1 de maio de 2017)

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