GHOST INTERVIEW #4 | Adam Cheyer



Steve is calling


Imagina você criar um app com seus amigos, e depois de 2 semanas do lançamento receber uma chamada…“Oi, aqui é o Steve. Steve Jobs. Estão livres amanhã? Poderiam vir aqui em casa?”. Imaginou a situação? Adam Cheyer passou por ela em 2010. Cheyer foi um dos três fundadores da Siri, aplicação que foi comprada pela Apple por US$ 200 milhões um pouco mais de dois meses após o seu lançamento oficial.



Não é magia, é tecnologia

Adam também fez parte do time de fundadores do Change.org e é mágico, nas horas vagas.  Perguntamos para Siri como falar com o Adam, mas ela não nos deu o telefone dele, por isso, fizemos esse Ghost Interview*:

Hey, Siri…



O que passei foi o sonho de todo os desenvolvedores. Em fevereiro, colocamos nosso aplicativo na Apple Store, como outros milhões, as coisas ficaram loucas, muitos usuários, os servidores ficaram cheios, tiveram que chamar o chefe de operações para a sala de emergência. Então veio a ligação de Steve Jobs. A nossa primeira reação foi “como foi que você conseguiu o nosso número?”. Ele riu e falou que pegou o contato no registro para o aplicativo e nos perguntou “o que estão fazendo amanhã, quer vir em casa?”Para muitos, virou aquilo “olha, como é fácil e rápido lançar um aplicativo”. Mas levou um tempo para o momento de conto de fadas, mais do que a gente imaginava de tempo, foram cinco anos na fase de pesquisa, quando ainda pesquisavamos na Universidade, e dois anos desde a criação do aplicativo até lançar.


(TED de fevereiro de 2015


A cada dez anos, a maneira com que as pessoas interagem com o mundo digital muda. Então no meio dos anos 80 a gente tinha o Windows, mouse e computadores desktop; dez anos depois, em 1995, 1996, o browser da Web emergiu, e as pessoas aprenderam um novo estilo de interação com hiperlinks e bookmarks; 10 anos depois, o mobile, com os smartphones,  apareceu e mudou completamente o digital, trazendo os aplicativos e touch que as pessoas usam todos os dias hoje. E se você não prestou atenção, já faz 10 anos que smartphone foi inventado, e todos se perguntam, qual é o próximo paradigma. Acredito que pode ser o assistente de voz.Os smartphones nos deixam conectados nas ruas e não apenas na mesa. Com esse limite expandido se criaram muitos ambientes que apenas o smartphone não funciona: você está lavando louça, ou correndo, ou dirigindo o caro. Um assistente [de voz]  que te entende e sabe executar as tarefas para você traz uma experiência melhor.


(Palestra “What is the Next Shift in Artificial Inteligence”, de maio de 2017


Hoje, o assistente de voz é apenas uma feature para vender os devices. Apenas os aparelhos da Apple podem usar a Siri, o mesmo do Google. Precisamos de um assistente único para ajudar durante o dia, seja no carro, no trabalho ou na TV. E eles precisam ser personalizados. Eu quero assistentes que conseguem fazer as coisas que eu preciso, entender todos os meus hobbies, marcas que eu gosto, serviços que eu acesso. Meu assistente de voz deveria saber disso.


(Entrevista à ABC australiana, de 28 de dezembro de 2017)

Há uma corrida para achar uma interface única onde todas as grandes companhias Microsoft, Apple, Amazon e, agora, a Samsung, estão tentando criar o assistente de voz que seja o próximo paradigma como o browser. Com tudo dividido, os assistentes no momento são utilitários no smartphone.


(Entrevista na CNBC em 2 de junho de 2017


A voz é convincente, é uma característica, mas não é a mais importante. Lógico que se você estiver dirigindo, você não pode usar o touch, a voz é melhor. Mas o assistente precisa estar presente em todos os seus contextos. Exemplo? Você está no computador do trabalho e pesquisa “quero planejar uma viagem para o casamento da minha irmã”, do nada, você precisa pensar em tudo: onde se hospedará, qual roupa terá que usar, qual presente levar, como você vai, quais são os melhores horários para você. Em websites e apps, essa pesquisa é um processo trabalhoso.Um assistente que conhece as suas marcas e serviços favoritos pode pegar essas informações e, no contexto correto, resolver as suas tarefas mais difíceis. Essa seria a melhor experiência para você: seja essa pesquisa feita por voz ou texto. Não é sobre a modalidade de voz, mas sobre assistência contextual.


(Entrevista ao “The Voicebot Podcast”, em 12 de novembro de 2018

Eu acredito que a experiência mobile vai se tornar muito mais contextual, com melhor integração com os outros devices perto da sua localização. Mais personalizada, com a experiência adaptada à sua história e suas preferências. Mais inteligente, uma vez que as máquinas conseguem adquirir muito do “senso comum”. E com muito mais capacidade, com um maior número de ações e transações ao alcance das suas mãos (mesmo se os dedos não sejam envolvidos na interação com estes serviços).


(Entrevista ao blog “The Startup”, em olhem só, 21 de agosto de 2015 


Eu trabalho com AI há 30 anos e tem coisas que aconteceram nos últimos 7 ou 8 anos que eu nunca imaginei que seriam possíveis de ver na minha vida. Ocorreu uma mudança muito rápida nessa área e eu não sei se todo mundo está atento em quão significante foi essa evolução.


(Participação na Big Speak em 1 de novembro de 2017

Antes, os programadores faziam todo o trabalho,  a AI está começando a expandir isso e criando relações onde programadores fazem parte do trabalho e a máquina outra. O próximo passo serão as máquinas resolvendo pequenas funções no lugar do programador e automatizar essas rotinas.


(Entrevista ao MIT Technology Review  em maio de 2017)

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