GHOST INTERVIEW #41 | Quem é o Daniel-San da Alibaba?


O novo Jack Ma


Já que estamos numa semana de celebrações, tanto do centésimo Morse, como do Dia Nacional da China (que foi ontem, mas se estende até domingo), o Ghost Interview foi novamente para terras chinesas atrás do grande Jack Ma. O criador e fundador da Alibaba, no entanto, nos avisou que se aposentou (ele até nos mostrou o vídeo da festa de despedida!) e logo falou para a gente: “vai lá conversar com o Daniel”. O Daniel, no caso, é Daniel Zhang, o novo CEO e chefão da Alibaba. É com ele a Ghost Interview de hoje.


Zhang entrou na gigante chinesa silenciosamente em 2007, quando foi para a pequena área de marketplace da Taobao (que é o “eBay” da Alibaba). Lá, ele começou a utilizar dados para chamar atenção de empresas, criando, assim, a área mais rentável da gigante do e-commerce até hoje! Não bastasse isso, Daniel foi o responsável por fundar o “Dia dos Solteiros”, a versão Alibaba da Black Friday que, só em 2018, foi responsável por US$ 30 bilhões em vendas. E aí, ficou curioso?

Ele tem o poder!



Muitas pessoas me perguntam essa mesma pergunta e a minha resposta honesta é… sobrevivência. Na época, o negócio B2C da Alibaba estava apenas começando, poucas pessoas sabiam o que ele era. Então nós pensamos em criar um evento para as pessoas reconhecerem a marca e lembrarem dela. Nós olhamos a Black Friday nos Estados Unidos e pensamos “por que não temos a nossa própria Black Friday na China?”. Novembro nos pareceu um momento melhor do ano para as vendas, afinal, não tinha nenhum bom feriado ou festival chinês nesse mês – ele era quase uma entressafra. Nas nossas pesquisas, vimos que o dia 11 de novembro era conhecido como “dia dos solteiros” e resolvemos investir.


O tema da nossa primeira campanha foi que, se você era solteiro, você teria que visitar o nosso site e então não se sentiria tão sozinho. Foi como começou, mas, logo, o 11.11 se tornou muito popular entre os clientes – solteiros ou não – e entre as marcas. 

(Entrevista ao site Alizila em 8 de novembro de 2017)

Para ser honesto, eu sinto um gap [entre a China e o resto do mundo]. Se você for para a China, ou viver lá por uns seis meses, eu tenho confiança que terá a mesma experiência. Hoje em dia, na China, não precisamos usar as nossas carteiras, você tem seu telefone e pode fazer de tudo com ele, pode pagar, tirar fotos, comprar comida, pode pegar metrô, ir no cinema. Enquanto isso, nos países desenvolvidos, as pessoas ainda vivem com os cartões de crédito, mas é um exemplo que a gente está mais rápido na China. A gente pulou o cartão e se tornou direto uma sociedade Mobile. 


Em alguns países do sudeste da Ásia, não houve a fase de utilizar o PC, as pessoas já foram direto para o Mobile. 


Se olharmos para a evolução da história, e a infra existente não é boa o bastante, você pula para o próximo estágio, e pode ser melhor. Essa é a situação hoje na China. 


A gente reconhece que, se não há interação entre as partes relevantes, não há dados. Os dados existem por causa do comportamento. Por causa dos comportamentos, há dados, por causa da interação entre partes diferentes. Hoje as pessoas falam muito sobre a posse [dos dados], eu acho que a coisa mais importante é, se os dados existem, como podemos usar esse dado da melhor forma? Como fazer isso transparente para todos, incluindo todos, e não apenas algumas empresas.

(Apresentação “Digital Trust and Transformation” no Fórum Econômico Mundial em Davos, em 24 de janeiro de 2019)


Bem, nós começamos como um e-commerce, mas hoje nós já nos transformamos de uma companhia de e-commerce para uma empresa de dados. O jeito que criamos os dados é proveniente de casos reais de negócio. Por exemplo, a Taobao, a Tmall, nos negócios de delivery de comida – todos esses negócios não são apenas espaços separados para gente, mas são cases para criar dados. Nós primeiro criamos, depois apuramos e tiramos valor desses dados – reabastecendo esses negócios, tornando-os melhores. Eu acho que esse é um ciclo positivo pois não só torna os dados úteis, como também os torna o núcleo do nosso futuro no business. 

(Entrevista ao podcast Beyond the Valley, da CNBC, em 9 de novembro de 2018)




Entender as pegadas dos usuários online e recomendar para eles produtos favoritos não significa mais muita coisa. Você recomendar algo que esse usuário possa amar, mas que ele nunca comprou, ou nunca nem viu na vida, – essa é a inteligência real. 

(Entrevista ao China Daily em 12 de novembro de 2018)


Trabalhamos com inteligência artificial há muitos anos, mas, para ser honesto, eu nem mesmo percebi que o que estávamos fazendo era AI. Somos uma empresa completamente data driven. Criamos valor a partir dos dados gerados pela atividade real de usuários e comerciantes; usamos dados como combustível para nossos mercados para ajudar os comerciantes a atender melhor seus clientes. Essa é a nossa lógica, e estamos trabalhando nisso há muitos anos.


A tecnologia e os dados fortalecem todo o nosso negócio – não apenas no lado de vendas e no mercado, mas também no escritório de suporte, no atendimento ao cliente, em todas as áreas. É assim que trabalhamos. Então, quando as pessoas dizem “IA”, rimos e dizemos que, para nós, é “inteligência de Alibaba”, porque dados e tecnologia alimentam tudo o que fazemos.

(Entrevista à McKinsey & Company Quarterly na edição de setembro de 2019)


Queremos digitalizar lojas físicas para gerar dados. Assim, conseguimos empoderar nossos parceiros: a partir dos dados. A digitalização sozinha não vai resolver todos os problemas [do varejo], mas ela nos dá a oportunidade de entender as necessidades dos usuários.

(Entrevista ao Nikkei Asian Review em 19 de setembro de 2018)


Eu acredito que todo negócio tem um ciclo de vida. Você precisa inovar e criar novos modelos de negócio e novas tecnologias sempre.  Então isso pode tornar todo o nosso negócio sustentável. Sempre dizemos que queremos construir um negócio sustentável e de longo prazo. Mas a maior parte não é às mil maravilhas. Acredito firmemente que, se não matarmos nossos negócios existentes, alguém o matará. Então, prefiro ver nosso novo negócio acabar com o negócio existente do que deixar para o competidor fazer isso.


Já construímos uma base muito sólida em e-commerce, logística, pagamentos e computação em nuvem. Nos próximos 20 anos, todas as empresas estão entrando na era digital. Continuaremos com nossa missão, que é facilitar os negócios em qualquer lugar. Agora precisamos descobrir como realizar nossa missão nesta era digital. Vamos desenvolver mais negócios, mais serviços para lidar com os pontos problemáticos de nossos clientes. Queremos ser a infraestrutura digital para nossos parceiros de negócios para capacitá-los a ter sucesso nesta era digital.

(Entrevista à Bloomberg em 9 de setembro de 2019)

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