Ghost Interview #7 | Evan Spiegel (o pai do Snapchat!)


Em semana de volta às aulas, a inspiração do Ghost Interview de hoje é o fantasma que assombra o Facebook ao fazer sucesso com os adolescentes (e já chega a 186 milhões de usuários diários ativos). Sabe do que a gente está falando? Do Snapchat, claro. A empresa ainda está no período de silêncio (afinal, fez o IPO em 2017, e chegou ao valor de mercado de US$ 29 bilhões), então juntamos as principais opiniões do seu CEO e cofundador, Evan Spiegel, por aqui.


Quando tinha 23 anos, Evan rejeitou a proposta de 3 bilhões de dólares do Facebookpara comprar o Snapchat. Aos 24, disse não para o Twitter, numa proposta que não teve o valor aberto. Aos 26, ele rejeitou o bid de 30 bilhões de dólares do Google pelo seu app. Essa história torna Evan, aos 28 anos, digno da nossa atenção para o segmento Mobile e Big Data. Dá uma espiada:

Chat and Snap



Um amigo meu ficou chateado por ter enviado uma foto para uma menina e depois se arrependeu. Ele não achou aplicativos que pudesse mandar esse tipo de mídia de maneira não permanente, mas, quando o Bobby [Murphy, CTO e co-fundador do Snapchat] e eu mostramos o app que tínhamos feito, esse meu amigo começou a usar. Então percebemos que enviar vídeos e imagens uns para os outros, sem que eles ficassem armazenados no celular, era divertido.No começo, o serviço fez sucesso porque era 10 vezes mais rápido do que um MMS (Multimedia Messaging Service). Então muitas pessoas apenas curtiram a interface porque ela era rápida e simples – era mais fácil do que abrir uma mensagem de texto, anexar uma foto e enviar.


(Entrevista dada à CNN indiana, em 2 de novembro de 2013


Muitos criadores de conteúdo e de propagandas, durante a transição para dispositivos móveis, apostaram em gravar vídeos como se eles fossem para a TV ou para o desktop, na horizontal; eles falavam que assim era criar para o mobile. Isso faz sentido quando a sua criação de conteúdo vem de uma outra área para os dispositivos móveis, mas a gente é mobile desde o início, então tínhamos uma tela em branco na nossa frente. Nossa linha de pensamento era que queríamos usar uma tela inteira. E para obter a tela cheia, a gente precisa ter os vídeos na vertical, porque é assim que as pessoas seguram o celular.


(Entrevista para revista Adweek, em 14 de junho de 2015)


Eu acho que o fato das imagens desaparecerem, de fato, ajudou todo mundo a perceber que as fotos não são mais preciosas, mas as experiências sim. Você pode criar fotos e vídeos o dia todo sem, de fato, isso ser algo documental. Então, o “desaparecimento” desse conteúdo com o tempo mostrou para as pessoas que imagens e vídeos, no mobile, fazem parte de uma conversa, de uma comunicação, e não de um registro para sempre.Se você olhar para trás, até para a geração dos meus pais, as empresas e as propagandas, tudo isso era baseado no conceito de aceitação. Os Rotary Clubs eram muito populares, era mesmo uma questão de ser aceito. A publicidade usava isso também, tipo o “cowboy da Marlboro”, as pessoas olhavam e queriam fumar para ser legais como esse cara. E houve uma profunda mudança na visão hoje em dia, pois há mais poder para a gente se expressar, é o que realmente é diferente da minha geração: a gente quer se expressar e tem as feramentas para isso. Daí a importância da criatividade, que muitos ainda não entendem. Usei esse exemplo da Marlboro, porque hoje, as marcas estão realmente pensando em como elas vão contar uma história para mudar a vida do usuário, e não mais apenas para “mostrar” para ele o produto. No mobile, pela primeira vez, as marcas podem ser parte da vida dos usuários.Tínhamos essa crença de que, do jeito que a tecnologia tem andado, todo mundo deveria ter um mapa personalizado e cada mapa seria completamente único, baseado em onde essas pessoas vão, para onde já foram, e quem os seus amigos são. coisa mais interessante desses maps é que ajuda as pessoas a se comunicar diferente e com contexo.


(Entrevista à Vanity Fair em 10 de fevereiro de 2017


A saída para competir de frente com esse tipo de concorrente é continuar a inovação. Um dos fatos que existem no mundo da tecnologia é que os inovadores ganham no longo prazo. Normalmente, os inovadores se dão melhor é quando há uma grande mudança de plataforma, é por isso que a gente está investindo em tecnologias como a realidade aumentada, porque vemos nisso o futuro.


(Entrevista dada à CNBC em 18 de junho de 2018)



Pesquisas mostram que o comportamento passado é muito melhor para prever os interesses do que qualquer post ou foto publicado por um amigo no nosso feed. Essa forma de personalização que o Netflix já faz, por exemplo, usa o machine learning para dar uma lista de coisas que podem ser do interesse do usuário que não foram uma recomendação de outros. E esse tipo de conteúdo é muito menos suscetível à manipulação externa.Ah, mas isso não vai aumentar os medos de que os algoritmos estão tomando conta do mundo? 


É importante lembrar que os seres humanos escrevem os algoritmos e conseguem otimizar o jeito que eles analisam a gente. Isso quer dizer que os códigos podem ser desenhados para responder a várias fontes de conteúdo e a diferentes pontos de vista.A combinação do “social” e da “mídia” nos levou a resultados de comerciais incríveis, mas enfraqueceu nossas relações com amigos e com a mídia.


Acredito que a melhor forma de desatar este nó é fornecer um conteúdo personalizado, baseado naquilo que o usuário quer ver ou ler, e não apenas baseado no que os amigos postam.É de vital importância que os feeds de conteúdo do futuro sejam construídos a partir de uma fonte com curadoria humana – no lugar de ser baseada em qualquer conteúdo da internet.  Curar o conteúdo dessa maneira mudará o modelo de mídia social e também nos fornecerá conteúdos confiáveis que desejamos.


(Artigo publicado no Axios, em 29 de novembro de 2017


Daqui a cinco anos, eu realmente acredito que as pessoas utilizarão a câmera dos celulares de uma maneira inimaginável. De um jeito que transformará a câmera do celular numa ferramenta tão essencial quanto é o mobile hoje em dia.


(Vanity Fair, de 21 de novembro de 2018

Apesar de poucos usarem, os Spectacles validaram a ideia de que há disposição dos usuários para se vestir computadores e câmeras. A maioria das pessoas não liga para o que estamos fazendo com os óculos. Na melhor das hipóteses, eles estão rindo disso. Mas o que vimos nos últimos sete anos, no sentido de transformação da tecnologia e adoção de ideias que já pareceram bem radicais, nos faz ainda mais convencidos que a gente pode sim investir em produtos completamente ‘malucos’ para o longo prazo.


(Entrevista dada ao Financial Times, em 28 de dezembro de 2018)

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