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Em meio a umabatalha contra o governo norte-americano, a Huawei deve lançar o seu próprio sistema operacional. Se vai ser no segundo semestre ou no ano que vem, se vai se chamar Hong Meng, Ark ou Kirin, não importa, o movimento da dona de 15,7% do mercado de smartphones mundial em criar uma alternativa ao Android e ao iOS levanta uma série de perguntas quentes e uma única certeza para a gente: já estava na hora de um concorrente de peso enfrentar o duopólio.

Déja Vu


A sensação é que esse filme já passou antes. Estamos falando, é lógico, do Windows Phone. Lançado em 2010, o SO da Microsoft estava em aparelhos da HTC; em 2014, foi a vez dos aparelhos da Nokia (não, não aqueles celulares da Nokia). A animação com os devices não durou nem esse período de quatro anos, já que, a cada atualização, poucos aplicativos entravam na app store do sistema. Os usuários tinham um excelente aparelho em mãos mas, na prática, não conseguiam usá-lo para muito além de algumas funcionalidades.


No auge da fama, o Windows Phone teve 2,4% do mercado (situação que, devemos lembrar, está longe de ser a mesma porta de entrada da Huawei). A questão virou um ciclo tipo “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”:a adesão do público era baixa pela falta de aplicativos famosos nos aparelhos, os desenvolvedores não faziam apps para os smartphones porque não tinha usuários. No fim, já comandada por Satya Nadela, a Microsoft não pagou para ver a resposta do dilema e em 2017, descontinuou o SO.


Terceira via possível


Se em 2010 os aparelhos se resumiam a smartphones e tablets, em 2019 o cenário é um tanto diferente: são smartwatches, smart-eletrodomésticos, smart TVs, enfim, são muitos devices inteligentes para contar aqui. De acordo com o CEO da Huawei, Richard Yu, o novo-sistema-sem-nome-definido-ainda (ele não perguntou, mas a gente prefere Hong Meng) será levado para notebooks, smartwatches, televisores e carros.


Nesse mercado específico, nem Android, nem iOS têm o peso, diga-se de passagem. No mundo IoT, os aplicativos são as estrelas. A Apple, por exemplo, já cedeu no mercado de smart-TVS, e liberou o iTunes para televisões da Samsung.

Mais é mais


Não só as coisas que estão mais “smart”, os usuários também estão. No ano passado, a venda de smartphones premium cresceu 18% no mundo – indo contra a tendência do resto do mercado. A exigência da audiência Mobile vai transbordar para os demais devices.


Não estamos mais na disputa pela audiência, mas pela qualidade. O que significa um ciclo: não faz muito sentido quem lança devices não ter a inserção no ecossistema, já que o aparelho não fica completo; também não é vantajoso para desenvolvedores ficar de fora desses aparelhos.


And now, this!


Falando em audiência, um novo SO pode trazer consigo todo um novo ecossistema de mídia e de métrica, audiência e monetização de aplicativos. E com a penetração em mercados de países asiáticos, difíceis de serem atingidos por meio das grandes (o Google, por exemplo, não opera na China). A fatia para todos é maior quando o bolo cresce.

O que tem acontecido no setor de ads digitais já é um indicativo de que, sim, é possível criar uma terceira via num segmento em que há um conhecido duopólio. O exemplo disso é o da Amazon, que está entrando no mundo de ads digitiais: ela tem crescido duas vezes mais do que as maiores e já chegou ao terceiro lugar em receitas de ads digitais total do mercado. Desde o ano passado, grandes marcas têm deslocado seu budget para a dona da Alexa. Hoje mesmo, a empresa de Bezos anunciou a compra do Ad Server da Sizmek.

Novas possibilidades


Ainda há a abertura para se criar um novo modelo de lojas de aplicativos. Em março, o Spotify entrou com processo contra a Apple, a reclamação é que a Maçã cobra uma taxa de 30% nas assinaturas feitas dentro da App Store, o que seria abusivo contra desenvolvedores. Em paralelo, a Suprema Corte dos Estados Unidos abriu espaço para os usuários processarem a criadora do iPhone por monopólio. Nessa semana, a Apple publicou a defesa à App Store. Uma terceira via pode trazer um caminho saudável para o mercado como um todo.

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