Content is Queen with Lynda Weinman

No mês de volta às aulas, nós resolvemos também voltar para a carteira. Porque se tem uma coisa que aprendemos fazendo o Learning Cast, é que sempre podemos aprender algo novo! Assim, fizemos uma lista de empreendedores e empreendedoras do mundo das edtechs, e das aulas online, para descobrir as suas trajetórias - e adquirir algum conhecimento no caminho.

A primeira #EdTechGhost vai para a “mãe” de tudo: Lynda Weinman. Lá em 1995, quando tudo ainda era mato na internet, ela resolveu fazer um site para unir e passar todo o seu conhecimento sobre Web Design. A página, Lynda.com, acabou migrando para se tornar um espaço para vender as fitas em VHS para suas aulas, sim, tipo a Jane Fonda do eLearning, e depois, em 2002, se tornou uma biblioteca de cursos em vídeo online (história parecida com Netflix?). Em 2015, o site, já conhecido por suas aulas técnicas , foi comprado pelo LinkedIn por US$ 1,5 bilhão, se tornando o LinkedIn Learning. Bem, Lynda tem muito a nos ensinar, literalmente:





Lynda, você fez uma carreira no mundo da animação antes de cair de “paraquedas” em salas de aula. O que te fez perceber que poderia atuar com educação? Eu não era técnica ou geek, e descobri muitas coisas sozinha. Me tornei professora quase por acidente. Muitas pessoas me perguntaram: "Como você faz isso e aquilo?". E eu respondia. Não sabia que compartilhar seu entusiasmo sobre algo era ensinar.

(Entrevista à Fast Company em 27 de abril de 2015)

Dar aulas sobre design te deram uma chance de chegar na web e no lynda.com em 95, como foi esse pulo? O lynda.com começou como um site pessoal para poder unir as tarefas que dava para os meus alunos. Na época, eu era muito apaixonada pela web e pelo seu potencial para o design. Queria ensinar para os meus alunos como publicar os seus portfólios em um site, mas não havia livro algum sobre o assunto, acabei escrevendo este livro. Meu livro foi publicado em 1996 e virou um best seller internacional. Foi o sucesso do livro, no final das contas, que me permitiu abrir a minha escola, linha de livros e também, mais tarde, um serviço online de educação.

(Entrevista ao blog W&Biz em 16 de setembro de 2008)

Ou seja, se chamou lynda por que era seu site pessoal? Na verdade, uma mulher me mandou um e-mail há muitos anos com o endereço “debbie@debbie.com” e isso me deixou curiosa para comprar o domínio Lynda ponto com. Ele ainda estava livre e eu comprei por US$ 35, e ele se tornou um espaço pessoal para testes.

(Entrevista à Forbes em 20 de janeiro de 2015)

Agora falando de negócios, do site-portfólio vocês migraram para uma escola física em 1997. Por que essa escola, em Ojai, no interior da Califórnia, acabou sendo um período de testes para a migração para o online? Na verdade, em Ojai, nossa primeira experiência foi alugando uma escola local para usar os laboratórios de informática como espaço de aulas durante o verão. Usamos o lynda.com para fazer uma propaganda do curso. Acabou que encheu muito rápido e vieram até pessoas de Viena, na Áustria, para ver as aulas.

E isso nos deu a confiança para alugar um espaço para aulas e formar uma escola. Foi assim que realmente começamos. Para nossa surpresa, o livro fez tanto sucesso, e foi realmente como uma tempestade perfeita. Havia muitos pontos positivos de timing sobre isso - a Internet estava realmente começando a crescer, nós tínhamos o livro de fato sobre a indústria e não havia escolas - nem mesmo faculdades comunitárias - que ensinassem web design. Fomos os primeiros a chegar ao mercado com a escola e tínhamos muita credibilidade. Em nosso primeiro ano em negócios, tivemos receitas de US$ 1,7 milhão. Éramos apenas nós fazendo tudo - limpando o chão, configurando os computadores, escrevendo o currículo e ministrando as aulas.

(Entrevista ao site Socal Tech em 28 de outubro de 2010)

Por que você desistiu de ter uma escola física, o que fez você migrar para o online? Tivemos 3 anos de escola física, então aconteceu, quase um do lado do outro: o estouro da bolha das dotcom e o 11 de setembro!

Todas as empresas de software indicavam os nossos cursos, a gente era um espaço para treinamento e desenvolvimento de funcionários. Muitos dos nossos alunos foram afetados pela bolha das empresas de internet. Com o 11 de setembro, as pessoas pararam de viajar. Foi algo de um mês, que fez com que as pessoas parassem de procurar a escola pois não queriam ir até lá fisicamente. Foi dramático, mas eu e Bruce [seu marido, cofundador da escola] tínhamos uma filosofia única: “o que fazemos quando não podemos falhar?”.

Por isso, começamos a gravar todas as aulas e vendê-las em VHS e DVD, eu estava escrevendo livros, fazendo consultoria, tudo isso para manter o instituto que tínhamos de portas abertas.

Entramos muito antes do mercado, antes do Youtube, todo mundo ainda tinha internet discada quando entramos na web, ainda era incomum uma pessoa conseguir assistir um vídeo na internet, mas a gente procurou achar uma forma de colocar os vídeos em forma de biblioteca, assim, as pessoas assistiam aos poucos. Entrar na internet também obrigou que a gente capturasse o conteúdo diferente, com câmeras melhores, isso trouxe toda uma disrupção interna antes de chegar ao público. Em fevereiro de 2002, colocamos todas as nossas aulas online.

Brinco que o lynda.com foi um sucesso do dia para a noite que levou 20 anos.

(Apresentação na Montgomery Summit de 2017 em vídeo publicado em 26 de maio de 2017)

O lynda.com também foi um dos primeiros sites que cobraram um valor de assinatura. Como foi essa migração? Na época que colocamos online, ainda estávamos tentando nos manter de pé. Por isso, resolvemos cobrar US$ 25 por um serviço de assinatura mensal. Poucas pessoas assinaram, na verdade, essa escolha fez a nossa receita diminuir naquele momento.

Tínhamos 1 mil membros assinantes que começaram, isso não era o bastante para pagar as contas. Gostaria de dizer que foi num estalar de dedos que as contas viraram, mas foi bem gradual. Levaram alguns anos para engatar e chegar ao ponto de dobrar a receita ano a ano.

(Entrevista à Fast Company em 27 de abril de 2015)

Em algumas entrevistas, você comenta sobre como a única métrica que vocês costumavam usar eram os feedbacks e que pensavam muito no tipo de aulas e nos assuntos que postavam. Quando você soube que o lynda.com, de fato, ganhou popularidade?! Quando começamos a receber ligações de pessoas pedindo para que colocássemos mais cursos de assuntos que ainda não tínhamos. As pessoas ligavam e literalmente perguntavam “quando vocês vão acrescentar o curso sobre tal assunto?”, e eram para áreas que a gente nem mesmo pensava em cobrir no Lynda.com.

(Entrevista à Forbes em 5 de junho de 2016)

Alguns anos depois, existiu uma explosão dos cursos online de graça, que você paga apenas para pegar o certificado, como os MOOCs, você acha que cobrar pelos cursos faz com que os alunos sejam mais comprometidos em terminá-los? Acho que não. Possivelmente, quero dizer, suponho que se você pagar por algo, você pode querer fazer o seu dinheiro valer, mas acho que essa ideia de conclusão é na verdade a maneira errada de medir o sucesso da educação online.

Quando você decide ir para a faculdade, você entende que é um compromisso de quatro anos, é largar o emprego, ir para a escola. Quando você faz um MOOC, pode não entender quanto tempo é necessário, o que realmente vai ser pedido a você.

Não é necessariamente que o MOOC em si seja ruim, ou o fato de ser gratuito é ruim. Eu não acho que tenha nada a ver com isso. Acho que é só que as pessoas têm dificuldade em arranjar tempo para se comprometer com algo [que não conseguem dimensionar]. Além disso, você não sabe o que está recebendo, então não sabe ao certo se é algo com o qual deseja continuar. Acho que esse é mais o motivo da falta de conclusão. (Entrevista ao Readwrite em 3 de dezembro de 2013)

Aqui no Morse lançamos no ano passado o LearningCast, com objetivo criar uma forma mais simples e leve de aprender algo, sem a obrigação de se dedicar de corpo e alma a completar um curso, mas sim como forma de encaixar uma rotina de aprendizado no seu dia a dia. Qual sua opinião sobre o modelo de aprendizado que define o sucesso ou não pela conclusão de um ciclo? No Lynda.com, realmente não valorizamos mais alguém se ele completa ou não completa. A ideia de uma biblioteca é que você pode escolher a quantidade de tempo que você tem, você pode fazer isso funcionar de maneira flexível. Muitas pessoas podem apenas precisar obter a resposta e fazer algo no Excel, ou apenas querer uma pequena dica de negócios, e o fato de não terem concluído o curso não é necessariamente um julgamento.

(Entrevista ao Readwrite em 3 de dezembro de 2013)

Chegamos a 2015, o LinkedIn fez uma oferta de US$ 1,5 bilhão, o que motivou a venda? Já tínhamos um plano de ou fazer um exit ou abrir capital, isso quando levantamos funding em 2013. Era do nosso entendimento que havia muito valor na companhia que estava além das receitas e que ele não chegava em muitos funcionários caso a gente não abrisse capital ou fosse vendido.

Quando recebemos a proposta do LinkedIn, nossos investidores, na verdade, não gostaram muito, eles acreditavam que, caso abríssemos capital, poderíamos ficar num valor entre US$ 3 bilhões e 5 bilhões. Ou seja, alguns acham que a gente vendeu muito cedo. De qualquer forma, a oferta do LinkedIn nos pareceu mais fit com a nossa ideia de crescimento, e atingir muitas pessoas. E foi uma oferta inesperada e muito rápida: o acordo todo levou três meses. E foi difícil, qualquer um que está numa situação dessa, tudo meio que para na empresa, a estratégia da empresa precisa pausar porque depende da venda. E tudo fica focado na due diligence, e precisa manter segredos…

(Apresentação na Montgomery Summit de 2017 em vídeo publicado em 26 de maio de 2017)

Falando no setor de educação online, qual é a maior questão que você vê no mundo de edtech agora?! Acho que o mais importante elemento de se pensar em educação online é que o ensino seja eficiente e distribuído, não acho que focar em um formato ou em que tipo de device seja algo a se destacar. Isso pode mudar nos próximos 10 anos, quem sabe não iremos aprender por um chip no futuro? Não acredito, no entanto, que o ensinar e o aprender vão sair de moda, e eu acho que a maioria dos empreendedores desse setor acaba focando mais no modelo de negócio e na plataforma de entrega dos conteúdos, mas não pensam se o conteúdo é eficiente, se funciona, se ajuda as pessoas.

(Entrevista ao AllThings SD em 18 de fevereiro de 2013)

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