O Ace de Serena Williams!


Ela tem 23 títulos de Grand Slams, quatro medalhas de ouro olímpicas e um portfólio de investimento de US$ 12 bilhões em valor de mercado. Precisa de mais para Serena Williams merecer um Ghost Interview?


E ela deu, isso porque, desde que criou o seu fundo de venture capital, Serena entrou na quadra para jogar contra outro adversário: a falta de diversidade do Vale do Silício. O Serena Ventures atualmente investe em mais de 30 empresas, 60% delas são capitaneadas por mulheres e negros. Além de tudo, Serena ainda é casada com Alexis Ohanian, co-fundador do Reddit (e “prefeito da internet”), ou seja, ela tem mesmo muito a dizer sobre tecnologia: 


MORSE: Serena, você já tinha investido em algumas empresas de tecnologia durante a sua carreira, mas o que levou você a criar o Serena Ventures em 2014? Serena Williams: Eu comecei porque eu percebi que uma grande quantidade de negros e mulheres não estavam recebendo funding. Quando eu comecei a investir em empresas, menos de 2% das startups eram fundadas por mulheres, em termos de negros, o indicador era de 0,2%. E eu acho isso errado e quis agir para mudar esses indicadores. Pensei “OK, eu sei que tenho boas ideias. Conheço outras mulheres que também têm”. O mundo é um caldeirão e isso precisa ser mudado, então foi assim que tudo começou. Se você olhar para o nosso portfólio, é super diversificado.


Lógico que a gente também investe em homens brancos. Porque, diversidade é isso, é aproveitar todos os caldeirões. Você não deve apostar só em um tipo de pessoa, mas misturar tudo. E isso é realmente importante para mim. 

Fonte: Entrevista ao The Hollywood Reporter em 29 de abril de 2019



MORSE: Ainda pegando o gancho da diversidade e da inclusão, qual o foco das empresas que vocês estão investindo?  Serena Williams: Nossa missão é ser mais inclusivo. Quando você pensa no Vale do Silício, você pensa em vários investimentos, e acha que é um clube muito exclusivo. Queremos criar um caminho para que pessoas diferentes consigam funding e que elas tenham impacto na cadeia. Nosso foco é em fundadoras mulheres e pessoas que fazem a diferença. É também importante para gente olhar se existe pessoas diferentes [de homens brancos] nos conselhos e isso torna o nosso portfólio diversificado.  

Fonte: Entrevista à CNBC em 24 de setembro de 2019


MORSE: Como jogadora de tênis, você é conhecida por um estilo ofensivo, como você é como investidora? Serena Williams: É divertido estar lá. Eu não me arrisco totalmente. Não salto nos precipícios. Eu sou o tipo de pessoa com mais aversão a riscos, mas percebi que o campo das novas ideias era onde eu queria estar.

Aprendi que você não pode gastar demais e também que adoro investir em ideias

Fonte: Entrevista à Revista Forbes em 7 de junho de 2019



MORSE: Falando um pouco do portfólio da Serena Ventures: vocês têm algumas fintechs como a Wave e a Coinbase, e também participaram de empresas como a Billie, que foi comprada pela P&G esse ano.  O que te levou a investir na Billie, em específico? Serena Williams: A Billie tem uma visão inclusiva sobre o corpo feminino e é uma marca que está levantando a questão da desigualdade de gênero na indústria de depilação e de lâminas de barbear falando sobre a “Pink Tax”. Eu tenho orgulho de ter investido na Billie. A indústria de lâminas de barbear é dominada por marcas voltadas para homens e que, de maneira geral, deixaram o público feminino de lado. Eu me animo bastante em fazer parte de uma companhia que coloca as mulheres em primeiro lugar nesse setor.

Fonte: Entrevista ao Elle.com em 13 de agosto de 2018

MORSE: Sabemos que os dados mostram que ainda há um grande caminho para atingir a igualdade de gênero e raça no mundo da tecnologia, mas o que você vê que foi feito nesse sentido? Serena Williams: Na NFL, eles têm algo chamado “Rooney Rule” que diz que todo time deve entrevistar candidatos vindos de minorias para postos sênior. É uma lei que companhias do Vale do Silício estão começando a seguir também, e isso é ótimo. Nós precisamos ver mulheres e pessoas de todos os tipos de cores e nacionalidades na tecnologia.

(...)

Existem algumas iniciativas que são boas que ensinam meninas negras a programar, o Black Girls Code. Não existia nada como o Black Girls Code quando eu era pequena (e eu sei muito bem o que é estar interessada numa área onde não existem crianças parecidas com você treinando). Eu acho que estamos fazendo um progresso. Mas nós podemos sempre trabalhar mais para aumentar a igualdade - seja se certificando que candidatos negros estão sendo entrevistados para vagas em tech ou nos certificando que a tecnologia é desenhada para todos os tipos de pessoa. Eventualmente, eu acredito que a gente vai transformar o mundo num lugar melhor.


Fonte: Artigo publicado na Wired de outubro de 2015, numa edição especial sobre igualdade na era digital


MORSE: Agora, pensando nos dois mundos que você atua, tem algo que vale tanto para o tênis quanto para o de startups?

Serena Williams: Se você vai ser parceiro com alguém, se certifique que você tem uma boa dupla!

Fonte: Entrevista à Fast Company em 13 de novembro de 2019


MORSE: Por fim, você tem uma dica para quem está começando a empreender?

Serena Williams: O mais importante é nunca desistir. 

Eu não era a melhor jogadora, não era a mais talentosa, eu não sou nem a jogadora mais alta. Mas você não precisa ser a mais inteligente, você não precisa ter todo o funding do mundo, você não precisa ter todas as portas abertas. Está tudo na atitude de que você irá trabalhar duro e não deixará nada te deter, e, lógico, nada vai fazer você desistir. 

Fonte: Cobertura do evento Forbes Under 30 pelo Working Woman Report em 30 de outubro de 2019




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