Open Banking é o novo normal


Apertem os cintos, o Open Banking chegou. Se você não quer sentir a turbulência que será a mudança dessa regra para o mercado - financeiro E de tecnologia - é só seguir o MORSE de hoje:


WTF?


Antes de tudo, uma explicação: open banking, ou “Sistema Financeiro Aberto” como está sendo chamado oficialmente, é uma regra que habilita que os bancos disponibilizem os dados financeiros dos clientes para outras instituições financeiras em uma única plataforma padronizada. Para quem é do tecnologês, a gente pode dizer que Open Banking propõe que todo o mercado financeiro tenha APIs abertas. Mas, no bom português, o projeto significa uma coisa só: o usuário é dono do seu próprio dado financeiro, não os bancos.  Assim como a lei geral de proteção de dados, a inspiração dessa nova regulamentação veio da Europa, onde o sistema já opera desde o começo de 2018. No Brasil, o Banco Central está a um passo de aprovar a regulamentação, já que a sua consulta pública finalizou em janeiro e ela deve entrar no ar como regulação já este ano. É bom acrescentar que apenas as instituições financeiras (e não financeiras) aprovadas pelo BC terão acesso às APIs abertas e o dado do usuário só poderá ser compartilhado nessas plataformas se assim ele preferir. 


Eu digo “Fin”, vocês dizem “Tech” 


De maneira prática, as fintechs serão as primeiras grandes beneficiadas com essa mudança de regra, afinal, compartilhar dados é um jeito de equilibrar o jogo entre os grandes bancos e os novos players. Com a palavra, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: “O monopólio de dados é uma grande barreira de entrada”. Não se trata de apenas compartilhar dados por si só, mas informações completas e séries históricas (como perfis de investimentos e histórico de pagamentos) dos usuários, um prato cheio para que fintechs (que antes não teriam como acessar essas informações por motivos de: nem existiam quando elas começaram a ser captadas) possam personalizar serviços.  Outra lembrança providencial é que, bem, o setor já é um dos maiores quando falamos de startups no Brasil. Só em 2019, 550 fintechs atuavam no Brasil e, também no ano passado, elas receberam US$ 935 milhões em investimento


Tudo no seu bolso!


O Open Banking também irá viabilizar que o usuário veja toda sua vida financeira em um único aplicativo - bem como faça alguns pequenos serviços como pagamentos e transferências em um espaço único, não apenas no app do banco. Imagina o potencial que isso pode ter para a criação de um superapp, por exemplo? Saindo do “e se” e indo para o formato mais pragmático: os apps de gerenciamento financeiro ganham demais com a nova regra. De acordo com o presidente do Guia Bolso, Thiago Alvarez, o Open Banking vem, exatamente, para resolver a dificuldade que é a visualização limitada de informações dos clientes - já que o acesso seria uniformizado entre clientes, inclusive mesmos clientes de bancos diferentes.  “Hoje em dia, dado é ouro, seja para você tomar crédito, escolher o melhor investimento ou melhorar a gestão financeira”.


Big Techs too?


Não são só bancos, fintechs e apps que estão de olho nesse mercado, as Big Tech também Nos últimos meses a Apple lançou um cartão de crédito, o Facebook confirmou que fará roll-out do Whatsapp Payments, o Google anunciou que lançará um serviço de conta corrente e a Amazon entrou em conversas com o Goldman Sachs para oferecer crédito para pequenos e médios empreendedores na sua plataforma de e-commerce. Sim, oferecer serviços financeiros é mesmo uma nova fronteira para as grandes da tecnologia. Se num primeiro momento isso pode significar maior concorrência para os bancos, quando a gente chega na página dois, a gente lembra que não é bem assim...


Cofre aberto


Os dados financeiros poderão ficar abertos aos players do mercado, mas as grandes empresas de tecnologia detêm informações comportamentais dos usuários que são só delas. E, cada vez mais, tais informações estão cada vez mais guardadas em cofres próprios: a Apple endureceu as regras para apps captarem informações dos usuários; o Google vai acabar com os cookies para terceiros do Chrome; o Facebook também vai desabilitar sua ferramenta de Audience Network (uma espécie de cookie) para a web móvel. O que deixa a pergunta para a gente: num mundo em que até o banco é ‘open’, faz sentido ainda existirem caixas pretas de dados?

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