R2C – Reciprocity to Consumer

O novo modelo de negócio para empresas na busca por dados


Desde o início deste ano quando assuntos relacionados à privacidade, alavancados principalmente por GDPR e LGPD, começaram a pautar a agenda de diversas empresas, temos levantando em paralelo uma outra bandeira, de quem além da Privacidade é importante ter também uma agenda voltada à Reciprocidade.


Isso porque, de forma geral, lei é lei, ou seja, estar em compliance não será um diferencial competitivo e sim a única forma de viabilizar projetos relacionados a dados. Em resumo, o que será um diferencial competitivo será a prerrogativa de acesso às informações, que tende a ser algo que nem todas as empresas terão caso não atualizem suas propostas de valor.


No mundo mobile que estamos inseridos, o consentimento é algo que já está no DNA, uma vez que os principais sistemas operacionais nem permitem a coleta dos dados sem o consentimento e opt-in. Na verdade, além da autorização inicial, os sistemas operacionais atualmente ainda reforça esse assunto ao longo do tempo, informando quais apps capturaram dados e com qual frequência. Ou seja, o assunto virou mainstream e a transparência e facilidade para revogar alguma das permissões dadas no passado trazem um grande desafio para a continuidade dos projetos de dados, limitando em alguns casos o acesso a informações por parte de algumas empresas.


Por outro lado, a possibilidade de conhecer melhor sobre uma base de usuários, mesmo sem a identificação pessoal de cada um, continua como algo importante para que as empresas possam evoluir continuamente o desenvolvimento de seus produtos e serviços, trazendo avanços e melhorias para seus clientes. Temos nesse caso o exemplo dos aplicativos de mobilidade urbana. A possibilidade de acesso a informações de geolocalização em background é com certeza um grande ativo para que os algoritmos possam trabalhar da melhor forma para otimização de disponibilidade dos mais diversos modais.


Aquilo que chamamos de Geobehavior, gera inteligência a partir das informações de geolocalização enriquecidas com diversos outros layers de dados, e de Appbehavior, com a inteligência sendo gerada a partir do comportamento de uso de aplicativos, é algo que tem se tornado cada vez mais importante na pauta da transformação digital das empresas.


Mas e ai, como continuar tendo acesso à essas informações?


Estar em compliance com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que deve entrar em vigor em agosto de 2020, é apenas o primeiro passo. O mais importante para o futuro será demonstrar para os usuários que os dados coletados fazem sentido e, o principal, geram retorno para eles. Estamos à beira da explosão das empresas R2C – que colocam o retorno ao consumidor em primeiro lugar em suas estratégias.


Quando falamos em retorno, não necessariamente é um retorno financeiro até porque na maioria dos casos essa conta não fecha.


Mas então, como criar uma relação de Reciprocidade?


Para algumas empresas e aplicativos é um desafio mais simples pois a proposta de valor está 100% atrelada à coleta de determinadas informações, como no caso do exemplo acima com aplicativos de mobilidade urbana.


Para outras, a necessidade de coleta de dados ainda é algo para uso interno, sem um retorno literal, imediato e perceptível para seus clientes. Nesse caso, a urgência pela mudança é latente, ou no curto prazo a fonte para diversas iniciativas de ciência de dados, análises preditivas dentre outras, pode secar.


Reciprocidade: criar uma proposta priceless


Como diria uma bandeira de cartão de crédito, algumas coisas na vida são priceless (não tem preço) e esse pode ser um guia para direcionar os esforços para compor uma empresa no modelo R2C: ter como propósito gerar valor para seus usuários com base nos dados que precisam ou gostariam de coletar. Mapear quais tipos de informações ou serviços adicionais seu usuário gostaria de ter, que para ele teria um alto valor percebido, mas para a empresa é altamente escalável e acaba sendo a forma mais inteligente de avançar nessa relação; dashboards sobre lifestyle, recomendação de lugares, ferramentas de discovery, curadoria de conteúdos e serviços e rankings locais são alguma das possibilidades.


O tema se torna tão importante no momento que talvez já faça sentido ter pessoas ou squads responsáveis pelo tema.


E aí, a sua empresa, já é R2C? Ou já tem alguém responsável pelo assunto?


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