Smartinetes



Entre patinetes e pedestres! Esse é o raio-x das ruas das principais cidades do mundo nos dias de hoje. E os responsáveis por isso? Startups de serviços de micromobilidade, que, além de agilidade e conveniência, entregam inteligência para as grandes empresas.

Vale lembrar que, nos Estados Unidos, o mercado está em franca expansão. As duas principais startups do serviço, Lime e Bird, atingiram status de unicórnio (a última, inclusive, é um “duplo unicórnio”, valendo mais de US$ 2 bi!) neste ano. Para não deixar a gente de fora, a brasileira Ride anunciou fusão com a mexicana Grin há pouco mais de um mês. A Yellow, de compartilhamento de bicicletas, também está tateando este mercado.

O Pulo do Gato

Ok, o mercado está crescendo, há apetite, há demanda. Mas, por quê? A resposta é umafórmula de sucesso muito bem conhecida do mundo mobile: experiência e dados.  

Diferente das bicicletas elétricas, os patinetes podem ser usados nas calçadas e demandam menor esforço do usuário. A bicicleta é preferida para trajetos longos de ida e volta. Já o patinete tem sido mais usado para viagens menores e mais frequentes durante o dia. Em San Francisco, por exemplo,  a média do trajeto de cada meio da Bird é de 2,4 quilômetros (ou 1,5 milha, se você for americano e souber o que isso significa).

Mobilidados

Aqui no MORSE temos falado muito sobre como o futuro da privacidade irá passar pela reciprocidade. A primeira garante “apenas” os direitos das pessoas de compartilhar ou não os seus dados, de saber qual será o uso destes e de ter a certeza que serão cuidados da melhor forma. Já a segunda permite que o compartilhamento de dados seguro seja recompensado com produtos, serviços e experiências melhores.

As empresas de patinete são um grande exemplo de como isso vem sendo realizado, pois permitem que os dados capturados ajudem que a disponibilidade de equipamentos por dia e hora seja a mais eficiente possível.

Os dados mapeados e coletados pelos aplicativos já entregam ouro para as empresas:são informações sobre o trânsito de pessoas em “micromomentos”, principalmente durante à tarde (ou no horário do almoço) e em áreas comerciais. Há números gerados sobre o tempo de viagem entre um espaço e outro – que podem ser utilizados para estudo mais completo de fluxo de pessoas para e de locais específicos

Tudo isso, cruzado com as informações absorvidas pelo smartphone, pode criar uma inteligência rica sobre as características de grupos de usuários que transitam por áreas da cidade e quais são os horários destas movimentações. É o geo-behavior em duas rodinhas.

P2B – patinetes to business

Não só startups como Bird, Lime ou Grin podem ter acesso a essas informações. Nos Estados Unidos, Bird transformou sua frota em produto B2B e abriu espaço para empresas terceiras gerenciarem os seus acessórios elétricos.

Aqui no Brasil, Rappi passou a oferecer esse serviço em parceria com a Grin. Os acessórios elétricos ficam com o logo da Rappi, mas são da Grin. 


(Very) smart city

Já imaginou uma cidade do futuro? Lugar com trânsito menos caótico, mais entendido por dados em tempo real? Os ganhos em conveniência para as pessoas seriam enormes: menor trânsito e calçadas inteligentes, do tamanho correto para a quantidade de gente. Por isso, não é de se surpreender que cidades já estejam se aproveitando das informações das startups de micromobilidade, Los Angeles e Detroit, por exemplo, já têm projetos de análises de dados criados por esses serviços menores de viagem.

Outro dado que também pode ser utilizado para a cidade? Dos furtos de patinetes: são informações em tempo real sobre local e horário de roubos.  A norte-americana Spin informa seus usuários quais áreas são menos seguras para elas andarem no próprio sistema do patinete elétrico. Esses dados compartilhadas com sistemas de inteligência da polícia trariam frutos interessantes.

Stop and go

A relação com as cidades tem sido de troca mútua de dados. Por conta de leis de zoneamento, tanto a Lime quanto a Bird adicionaram soluções de geofencing em sua frota.  A ideia é impedir que os elétricos de duas rodas sejam usados em algumas partes de cidades, bem como que não ultrapassem limites de velocidade nas calçadas norte-americanas.

E se elas conseguem usar a “cerca” para impedir de ir a um lugar, podem, muito bem, dar um empurrãozinho para o usuário entrar em outro. É o projeto da Lime: oferecer sugestões de navegação passo-a-passo e avisos sobre locais nos displays das scooters ou no aplicativo. A empresa não descarta que as próximas versões do patinete elétrico tenham integração com assistentes de voz, como Alexa. A brincadeira de criança ficou mesmo muito séria!

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