Somewhere over the Smartphone


Proibida pela mãe de utilizar o smartphone, Dorothy, de 15 anos, não se deu por vencida. Usou seu Nintendo Wii para acessar o Twitter – seu app preferido no celular. O esquema durou pouco e a mãe da garota logo confiscou o videogame também. Desesperada, a adolescente recorreu ao seu último recurso: a smart-geladeira da LG ! E, vejam só, ela conseguiu: a garota twittou diretamente do refrigerador da família e sua mãe não pode tirar esse aparelho de suas mãos. O acontecido, como era de se esperar, virou meme  (e até deu resposta da LG). Para a gente, mais do que uma anedota do mundo digital, essa história nos diz muito sobre o nosso momento em que o Mobile expandiu suas fronteiras. E a pergunta fica: o que faremos depois disso?

O Mágico do OS


Há uma semana, a Huawei anunciou o HarmonyOS (ou HongMeng OS, dentro da China. Fun Fact: em chinês, os ideogramas significam  “o começo do mundo” ou “a origem do mundo”), seu sistema operacional voltado para as “smart-coisas”. Ou, como chamou um dos executivos da companhia, um OS “holístico”, já que os usuários já esperam uma experiência inteligente em todos os dispositivos conectados – exatamente como Dorothy, a adolescente tuiteira rebelde. A aposta da chinesa é que o Mobile é também tudo aquilo que não é o smartphone, tanto que no começo da semana, ela lançou o primeiro device que terá o Harmony: uma smart-TV . Nos próximos cinco anos, a empresa deve lançar uma versão do OS para smart-watches, tablets, smart-speaker e até mesmo em carros elétricos – aparelhos que ainda não têm um OS dominante. Parada para lembrar que estimativas da Ericsson apontam que, até 2022, smartphones serão apenas 8,6% do total de dispositivos conectados no mundo. 


Run fast…


Falando nas tais “coisas conectadas” ou IoT, como o mercado gosta de chamar,  já existe também uma corrida (com perdão da piadinha) nos sistemas operacionais para carros autônomos. No ano passado, a BMW resolveu fazer o seu próprio sistema, a Volkswagen também tem o seu próprio,  a Tesla usa um sistema aberto de Linux, mas  já entrou com uma patente para uma plataforma parecida com o Windows voltada para automóveis conectados. Replique para cada aparelho conectado e você vai entender o que está movimentando, de verdade, o mercado. 

Device? Que device?


A razão para essa verdadeira corrida maluca dos sistemas operacionais está numa tendência do Mobile: o software e, principalmente, os serviços atrelados a este software, vão ter cada vez valor maior sobre o hardware. Pois é o programa embarcado no aparelho que traz a capacidade de captar os dados para entender o usuário de maneira unificada – segura esse pensamento aí, que daqui a pouco a gente volta para ele. Não é à toa que a Apple recentemente fez a guinada para os serviços. Do ponto de vista do usuário, isso torna a discussão ainda mais complexa, já que o poder do aparelho já não está mais em suas muitas características, mas no programa que o opera – como o que ocorreu com essa jornalista norte-americana, que foi forçada a deixar de usar todos os seus aparelhos da Apple por um erro que a baniu da Apple Store.

Lost in Tech


Ficou perdido com esse cenário? Tudo bem, 52% dos varejistas norte-americanos estão contigo nessa. Segundo pesquisa feita pela WBR Corporate, mais da metade dos executivos do setor se sentem despreparados para as novas tecnologias Mobile – e apenas 9% deles se dizem capazes de suportar “tecnologias mais avançadas”. É aí que entra, novamente, a inteligência de dados – como falamos ali em cima. Não é à toa que as grandes empresas estão de olho nos sistemas operacionais, elas sabem que, no ambiente do “Mobile Estendido”, conhecer o usuário é essencial.  Outras companhias, como a LG, escolheram criar um caminho próprio (e igualmente fortalecido por dados) para falar com os seus usuários, a LG Audience. 

There is no place like Data


Para os que não são uma Apple, ou uma Huawei, esse caminho não está fechado, afinal, ainda é possível saber o que os usuários assistem, por onde andam e outras informações de hábito, e, assim, entender os contextos e em quais devices cada mensagem caberia melhor. É um pouco do que os super-apps chineses já fazem, inclusive. O negócio é não se deixar paralisar pela quantidade de aparelhos conectados e, ir pela estrada de tijolos amarelos que a Dorothy, lá do começo desse texto, seguiu: usar a inteligência, a criatividade e o aparelho correto.

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